Home Data de criação : 08/03/24 Última atualização : 09/02/10 12:55 / 26 Artigos publicados
 

O Diabo : um filho ingrato.  escrito em terça 10 fevereiro 2009 12:55

A DOUTRINA DA IGREJA SOBRE O DIABO

 

Pe. Agathangelos K. Charamantidis

 

 

Segundo a tradição bíblico-patrística, o Diabo não é a personificação das paixões, mas uma pessoa, criada por Deus como Anjo e, tendo perdido comunhão com Ele, converteu-se em espírito obscuro, o Diabo. Como pessoa, o Diabo tem livre arbítrio, isto é, tem liberdade e esta liberdade não é violada por Deus.

O mistério do pecado actua na história porque o Diabo continua gerando o mal e fazendo sua obra catastrófica como desde o início. A Tradição bíblica e patrística, fora de toda consideração teórica e ética do bem e do mal, fala sobre o rival astuto de Deus e do inimigo do homem. Este inimigo é o Diabo que tem a intenção é destruir toda a autêntica vida, pois ele é um espírito de morte. Ele é uma personalidade concreta, um ser concreto. Introduz-se com a injúria, com a arrogância e o engano na história, com a pretensão de destruir a Deus e aos homens. O pecado, os sofrimentos, a morte são gerados por ele, pois espalha a ruína e o ódio, exercendo seu poder e domínio. O mal não é uma soma de acções puramente humanas; suas raízes se encontram na autoridade diabólica. É uma força que está fora do homem e de sua natureza, a quem, exercendo seu livre arbítrio, pode aceitar ou rechaçar.

O Diabo originou-se a partir da vontade e acção de Deus. Os demónios não foram criados maus, pois Deus não criou o mal; tudo o que Deus cria é bom. Foram criados sem maldade em sua essência, e, em sua natureza, livres, independentes e com o livre arbítrio, exactamente como aconteceu com os Anjos. Após sua  voluntária queda, de seres puros se converteram em seres sombrios, impuros e violentos. 

As legiões demoníacas são numerosas, distinguindo-se, umas das outras, por grupos ou classes. A multidão dos demónios e sua distinção em grupos ou classes é baseada em suas diferentes obras e nos diversos nomes que recebem. Sendo pois inúmeros e recebendo variados nomes, lutam continuamente para frustrar a obra redentora de Cristo. Incapazes de prejudicar directamente a Deus, se dirigem aos homens para, com seus poderes maléficos, travarem uma luta com eles, confundindo suas vontades, criando tentações, nos envolvendo em paixões, nos deixando confusos e obstruindo nosso tempo de oração. Para tanto, usa de várias faces e máscaras, gerando toda espécie de conflitos.

A tentação e a luta do Diabo não estão acima das forças dos homens, não viola o livre arbítrio e não danifica a sua essência natural. A força do Diabo não é imperativa dependendo sempre de nossa liberdade. Se sucumbirmos à tentação é porque nossa vontade assim o permitiu. Os Padres da Igreja ressaltam que o homem nunca fica só. Se a Graça de Deus deixa o homem, ele se torna um ser completamente vulnerável, permeável às influências do demónio. São Simeão, o Novo Teólogo, diz que "se não é Deus quem dirige os homens, o Diabo é quem os manipula, com o consentimento e colaboração do próprio homem".

Por isso, o homem fiel a Deus é chamado a estar sempre vigilante e em oração, pois Satanás não cessa de esconder-se e mascarar-se, com o intuito de enganar e corromper a alma humana. É mestre em perverter as palavras do Evangelho e a linguagem da Cruz, prometendo aos insensatos, facilidades e comodidades. Existe o perigo de que cheguemos à degradação total se nos entregarmos às tentações e seduções satânicas.

Se o Diabo tem a possibilidade de transformar-se em qualquer coisa, até mesmo em "Anjo", podemos imaginar quão ardiloso ele é, usando de coisas inocentes e frágeis, para atrair os mais ingénuos. Tenta persuadir para destruir nos homens aquilo que lhe é mais caro: a liberdade. 

Muitos dizem "não existe nem Deus e nem tão pouco o Diabo". A negação da existência dos demónios equivale a descartar a Economia Divina da Santíssima Trindade. Cristo humilhou e despojou as autoridades das trevas. A negação de sua existência facilita muito o trabalho e a acção destas forças do mal. Muitos homens modernos crêem que não existe Satanás. Por causa disso, temos que nos preparar para assistirmos surpreendentes sinais dos prodígios do demónio. Pois tudo o que ele quer, é que creiamos que não exista para que, assim, possa agir mais livremente, nos corações desprevenidos. Temos que nos preparar para fazer frente a uma época de enganos e escuridão pela qual o mundo passará, inevitavelmente, se a maioria dos homens crerem na sua inexistência. Mas devemos confiar, sobretudo, na Omnipotência Divina.

A Omnipotência de Deus, de acordo com sua Santa Vontade, não suprime a liberdade dos seres racionais. Deste modo, permite que o diabo, usando de sua liberdade, persista na   obra do mal, porque também ele é um ser livre. No entanto, limita seu agir destrutivo por sua amizade e grande amor pelos seres humanos. Quando o homem se arrepende, Deus o perdoa, e deste modo, fica limitado o reino do mal. O definitivo aniquilamento do poder do mal se dará no Juízo Final. 

A obra de demónio é destrutiva, porque odeia infinitamente o homem e a Criação. Está possuído por uma exagerada misantropia mortífera. Inspira pensamentos contra Deus e contra o próximo, influência a vontade do homem, atua na natureza ontológica do ser humano. Os Santos Padres afirmam que, não podendo o homem compreender a existência e a fúria do Diabo, que se manifesta nos ataques contra a alma, Deus permite que ele possua o corpo do homem, para que sua força seja conhecida.

Satanás conseguiu pelo engano e pela mentira submeter os homens às paixões e ao pecado. A causa que conduziu o homem ao pecado foi à inveja. O Diabo teve inveja de Adão pois este habitava num lugar de delícias, o Paraíso, justamente de onde foi expulso.  

A intenção de arrastar o homem ao pecado e ao sofrimento, acontece de modo gradual. São Gregório Palamás afirma que Satanás, muitas vezes, não age de forma directa, mas pouco a pouco vai engendrando astutamente a cilada para que o homem caia. Mas a sua grande intenção é destruir a Igreja. Ao atingir o homem, na verdade, quer atingir a Igreja, Corpo Místico de Cristo. Tenta introduzir no pensamento do homem que "de facto ele é livre e não precisa da Igreja ditando normas e leis, dizendo a ele o que pode e o que não pode fazer. Não é necessário obedecer aos padres para permanecer na virtude, basta deixar-se conduzir por si próprio." Quando o Diabo consegue tirar o homem da vida eclesial, expulsando a graça de Deus de sua vida, este mesmo homem torna-se escravo das paixões e dos ditames do Diabo.

Por que Deus permite que o Diabo lute contra os homens?  

São Máximo, o Confessor, cita cinco razões:

- Para que nós cheguemos a distinguir a virtude do mal, através desta luta;  

- Para que, mediante esta luta, mantenhamo-nos firmes na prática da virtude.  

- Para que saibamos que a virtude é um dom de Deus;

- Para que odiemos firmemente o mal;

- Para que, cientes de nossa fragilidade, nos agarremos à força de Deus nos momentos de perigo.

Lamentavelmente, nossa educação e cultura ignoram esta realidade. Não só a combate como não permite que seja falado sobre o pecado e o demónio na sociedade. Por isso, com certeza, podemos dizer que o homem está cada vez mais vulnerável aos ataques demoníacos.  

E nós Ortodoxos, esquecemo-nos que pertencemos à Igreja de Cristo e entramos nela não para cumprir um dever formal e obter, com isso, nossa justificativa face aos preceitos religiosos, mas para a nossa salvação. Porque a Igreja é o lugar da salvação, onde entramos para nos libertar de doenças espirituais através da Palavra, dos Sacramentos e da Oração. Os Santos Sacramentos foram dados à Igreja para a salvação do homem, para exorcizar o mal, combater e vencer a Satanás. Não podemos nos esquecer que ali onde está Cristo, não pode estar Satanás e, onde estão os demónios, tudo é corrupção e destruição, por isso Deus não pode estar lá.

Se vivermos nesta verdade, nos libertaremos mais facilmente da prisão que o demónio nos arma, consequência dos pecados que cometemos sob seu domínio. Mas, não temamos! Existe Cristo, existe a Igreja, existe a oração, existe a Sagrada Liturgia, existe a Confissão e a Eucaristia e sobretudo existe o arrependimento. O demónio não quer o arrependimento do homem porque é ele que inicia a abertura das portas da prisão.

Uma comunidade eclesial que se deixa vencer pelo demónio ou que teme sua presença, é porque não conhece a força de Deus e da sua Igreja. Somos chamados a dar testemunho através de nossa recta doutrina, recta consciência e recto agir, de que o Senhor do Mundo é Jesus Cristo. E não há nenhum outro Senhor a não ser o nosso Deus! Se o demónio domina e estende este senhorio sobre alguns homens, nem por isso, ele é verdadeiramente Senhor da humanidade.

Certa ocasião, o Senhor respondeu a seguinte questão: "Tu és aquele que devias vir ou devemos esperar outro? E Jesus disse: "Ide e anunciai o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos são curados, os mortos ressuscitam e os pobres recebem a Boa Nova. Já está entre vós o Reino de Deus"

Oxalá vivêssemos de facto esta verdade: o Reino de Deus já está em nosso meio e não o reino das trevas. Se realmente acreditamos nesta palavra o mundo seria melhor para as crianças, para os jovens e para os adultos. Os anciãos não temeriam a morte. 

Os filhos de Deus não temem o mal!

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Sempre em frente.  escrito em quinta 05 fevereiro 2009 12:34

Há um caminhar sobre as àguas

destinado ao teus pés

Há uma oportunidade de ouro

a maior

a melhor

a única

Há um DEUS

pai de TODO amor

a esperar por ti

para inesquecíveis vitórias.

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Esperar no Senhor.  escrito em domingo 25 janeiro 2009 17:00

Uma das grandes dificuldades daqueles que buscam aplainar seus caminhos nos ensinamentos do Evangelho é a exigência que o Bom Caminho nos faz para que esperemos no Senhor.

Paciência. Eis uma grande e necessária virtude para o verdadeiro cristão. A palavra nos garante em tantas passagens que o que semearmos iremos colher, que as Promessas de Deus jamais se frustrarão, que Ele é fiel para cumprir em nossas vidas todas as maravilhas sinceramente pedidas.

Mas como entender o tempo de Deus? Apenas pela fé. A vida do cristão honesto passa pela renúncia voluntária à tantos prazeres e convites da vida cotidiana, que só pode se explicar pela estrita confiança no Senhor, nos seus estatutos e nos propósitos Dele para nós.

Os seres "mundanos", ou seja, aqueles que vivem confiando nas doutrinas do mundo, da ciência e da cultura humana, vivem se apoiando em prazeres conquistados, que lhes forneça combustível para prosseguir na selva da sobrevivência diária. De euforia em euforia. Carros, casas, bebidas, drogas, sexo, futebol, etc. Mas nós vivemos para a Promessa.

Os que são achados pela Palavra ingressam numa nova realidade. Tidos como "loucos" pelo Mundo, encontram um Universo de ensinamentos que pouco a pouco, começam a fazer todo o sentido em suas vidas, trazendo paz, amor, compreensão, prosperidade, justiça e vitória real. Ocorre a renovação das forças, dos sentimentos, da mente. Passamos a amar a vida, as pessoas, a receber um poder que emana dos Céus, através da vida e do exemplo de Jesus.

Ao mesmo tempo, o peso da atração do Mundo despenca sobre os ombros dos cristãos, que alimentados na fé e na confiança do porvir, podem cumprir sua alta missão: resgatar tantos milhões de perdidos irmãos, embriagados na ilusão de falsos deuses e prisioneiros de uma vida apartada do Deus único e verdadeiro.

Como poderemos ter esta força para cumprir a missão? Esperando no Senhor. Olhando para as suas Promessas, abrindo os olhos espirituais e enxergando lá na frente. Paciência, muita paciência, e uma personalidade renovada, vitoriosa, para provar das incríveis maravilhas que Deus tem para seus filhos na Terra e depois  junto ao seu Trono. Antes, sem a fé e a paciência, nós sobrevivíamos de euforia em euforia. Agora, esperando no Pai seguimos em frente, de glória em glória, e bem mais que vencedores.

                                                                      

                                                             Que a paz e o amor de Jesus permaneçam.

 

                                                                                                              Adriano Rocha

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Jesus é suficiente!  escrito em segunda 12 janeiro 2009 16:43

Eu não preciso ser reconhecido por ninguém

a minha glória é fazer com que conheçam a Ti

e que diminua eu pra que Tú cresças Senhor

mais e mais...

E como os querubins que cobrem o rosto ante a Ti

escondo o rosto pra que vejam Sua face em mim

e que diminua eu pra que Tú cresças Senhor

mais e mais..

No Santos dos Santos

a fumaça me esconde

só Teus olhos me vêem

debaixo de Tuas asas

é o meu abrigo

meu lugar secreto

só Tua graça me basta

e Tua presença é o meu prazer...

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Qual JESUS?  escrito em segunda 05 janeiro 2009 04:04

"Então lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo" (Marcos 8.29).

"Irmão, eu não estou interessado em qualquer conversa sobre doutrinas que nos dividam. A única coisa que me importa saber é se alguém ama a Jesus. Se ele me diz que ama a Jesus, não me interessa a qual igreja vai; eu o considero meu irmão em Cristo." Naquele momento, não me pareceu que fosse a hora e o lugar certo para argumentar com a pessoa que dizia isso. No entanto, eu me senti compelido a fazer uma pergunta para ela antes que a conversa se encerrasse: "Quando você fala com alguém que lhe diz amar a Jesus, você nunca lhe pergunta: 'Qual Jesus?'"

Após um breve momento de reflexão, tal pessoa me respondeu que nunca faria tal pergunta. "Não seria simpático".

Sempre que visito alguns amigos de um outro estado, há um homem que me esforço em encontrar. Ele é a alegria em pessoa, um dos homens mais amigáveis que conheço. Mesmo sendo um muçulmano consagrado, ele se declara ecumênico, e orgulha-se do fato de compartilhar algumas das crenças tanto dos judeus como dos cristãos. Ocasionalmente ele freqüenta uma igreja com um de meus amigos e de fato aprecia a experiência e a comunhão. Certa vez em um restaurante, ele estava expondo o seu amor por Jesus para mim e nossos amigos cristãos, e encerrou a sua declaração com as seguintes palavras: "Se eu pudesse rasgar a minha carne de tal maneira que todos vocês entrassem em meu coração, vocês saberiam o quanto eu amo a Jesus." Os sentimentos que envolveram suas palavras foram impressionantes; na verdade, é incomum ouvir este tipo de declaração tão devotada, até mesmo em círculos cristãos.


Estamos falando da mesma pessoa?

Voltando agora para o meu dilema inicial. Eu estava admirando a expressão de amor de meu amigo quando um pensamento preocupante tomou conta de mim: Qual Jesus? Um breve conflito mental aconteceu. Pensei se eu devia ou não lhe fazer tal pergunta. Minhas palavras, no entanto, saíram antes que minha mente tomasse uma decisão. "Fale-me sobre o Jesus que você ama." Meu amigo muçulmano nem hesitou: "Ele é o mesmo Jesus que você ama." Antes de me tornar muito "doutrinário" com meu amigo, achei que deveria mostrar-lhe como era importante definirmos se estávamos realmente falando sobre o mesmo Jesus.

Eu usei o seu vizinho, que é um grande amigo nosso, como exemplo. Ele e eu realmente amamos esse cidadão. Depois de concordarmos sobre nossos sentimentos mútuos, eu comecei a dar uma descrição das características físicas de nosso amigo comum: "Ele tem um metro e setenta de altura, é totalmente careca, pesa mais ou menos uns 150 quilos e usa um brinco em sua orelha esquerda..." Na verdade, eu não pude ir muito longe, pois logo algumas objeções foram feitas. "Espere aí... ele tem quase dois metros, eu gostaria de ter todo o cabelo que ele tem, e ele é o homem mais magro que eu conheço!" Meu amigo acrescentou que certamente não estávamos falando sobre a mesma pessoa. "Mas isto realmente faz alguma diferença?", perguntei. Ele me olhou com incredulidade. "Mas é claro que faz! Eu não tenho um vizinho que se encaixa com a sua descrição. Talvez você esteja falando de uma outra pessoa, mas não de meu bom vizinho e amigo." Então destaquei o fato de que se nós verdadeiramente aceitássemos a descrição que eu acabara de dar, certamente não estávamos falando da mesma pessoa. Ele concordou.

A seguir continuei descrevendo o Jesus que eu conhecia. "Ele foi crucificado e morreu na cruz pelos meus pecados. O Jesus que você conhece fez o mesmo?"

"Não, Alá o levou para o céu logo antes da crucificação. Judas é quem morreu na cruz."

"O Jesus que eu conheço é o próprio Deus, que se tornou homem. O seu Jesus é assim?"

Ele negou com a cabeça e disse: "Não, Alá é o único Deus. Jesus foi um grande profeta, mas somente um homem." A discussão prosseguiu a respeito das muitas características que a Bíblia atribui a Jesus. Em quase todos os casos, meu amigo muçulmano tinha uma perspectiva diferente. Mesmo mantendo-se convencido de que ele tinha o ponto de vista correto sobre Jesus, o fato de que nossas convicções contraditórias não podiam ser reconciliadas pareceu reduzir o seu zelo em proclamar o seu amor por Jesus.


Discussão doutrinária é sectarismo?

Alguns enxergam este meu questionamento como algo não amoroso - como uma prova do sectarismo que a discussão doutrinária produz. Eu o vejo como uma tentativa de clarear o caminho para que meu amigo tenha um relacionamento genuíno com o único Salvador verdadeiro, o nosso Senhor Jesus Cristo - não com alguém que ele ou outros homens, intencionalmente ou não, têm imaginado ou inventado.

Doutrinas, simplesmente, são ensinamentos. Elas podem ser verdadeiras ou falsas. Uma doutrina verdadeira não pode ser divisiva de maneira prejudicial; esta característica se aplica somente a ensinos falsos. "Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles" (Rm 16.17; veja também Rm 2.8-9). Jesus, que é a Verdade, só pode ser conhecido em verdade e somente por aqueles que buscam a verdade (Jo 14.6; 18.37; 2 Ts 2.13; Dt 4.29). O próprio Cristo causou divisão (Mt 10.35; Jo 7.35; 9.16; 10.19), divisão entre a verdade e o erro (Lc 12.51).

"Qual Jesus?" é uma pergunta importantíssima para todo crente em Cristo. Nós deveríamos primeiro nos questionar, testar nossas próprias crenças sobre Jesus (2 Co 13.5; 1 Ts 5.21). Incompreensões sobre o Senhor inevitavelmente se tornam obstáculos em nosso relacionamento com Ele. A avaliação também pode ser vital com respeito á nossa comunhão com aqueles que se dizem cristãos. Recentemente, durante uma rápida viagem aérea, um dos meus amigos, preocupado o suficiente, fez algumas perguntas cruciais á pessoa próxima a ele sobre o relacionamento dela com Jesus. Mesmo tendo confessado ser um cristão, participando há quatro anos de uma comunidade cristã, essa pessoa na verdade não conhecia a Jesus nem entendia o evangelho da Salvação. Meu amigo o levou ao Senhor antes que o avião aterrizasse.


A "unidade cristã"

Com muita freqüência, frases parecidas com "nós teremos comunhão com qualquer um que confessar o nome de Cristo", estão sensivelmente impregnadas de camuflagens ecumênicas. O medo de destruir a unidade domina os que levam a sério este tipo de propaganda antibíblica, até mesmo ao ponto de desencorajar qualquer menor interesse em lutar pela fé. Surpreendentemente, "a unidade cristã" agora inclui a colaboração para o bem moral da sociedade com qualquer seita "que confessa o nome de Jesus."


"Jesus", o irmão de Lúcifer

Os ensinamentos heréticos sobre Jesus incluem todo tipo inimaginável de idéias sem base bíblica. O "Jesus Cristo" dos mórmons, por exemplo, não poderia estar mais longe do Jesus da Bíblia. O Jesus inventado por Joseph Smith, que a seguir inspirou o nome de sua igreja, é o primeiro filho de Elohim, tal como todos os humanos, anjos e demônios são filhos espirituais de Elohim. Este Jesus mórmon se tornou carne através de relações físicas entre Elohim (Deus, o Pai, o qual tinha um corpo físico) e a virgem Maria. O Jesus mórmon é meio-irmão de Lúcifer. Ele veio á terra para se tornar um deus. Sua morte sacrificial dará imortalidade para qualquer criatura (incluindo animais) na ressurreição. No entanto, se uma certa criatura, individualmente, vai passar a sua eternidade no inferno ou em um dos três céus, isto fica por conta de seu comportamento (incluindo o comportamento dos animais).


"Jesus", uma idéia espiritual

O Jesus Cristo das seitas da ciência da mente (Ciência Cristã, Ciência Religiosa, Escola Unitária do Cristianismo, etc.) não é diferente de qualquer outro ser humano. "Cristo" é uma idéia espiritual de Deus e não uma pessoa. Jesus nem sofreu nem morreu pelos pecados da humanidade, porque o pecado não existe. Ao invés disto, ele ajudou a humanidade a desacreditar que o pecado e a morte são fatos. Esta é a "salvação" ensinada pela tal Ciência Cristã.


"Jesus", o arcanjo Miguel

As Testemunhas de Jeová também amam a Jesus, mas não o Jesus da Bíblia. Antes de nascer nesta terra, Jesus era Miguel, o Arcanjo. Ele é um deus, mas não o Deus Jeová. Quando o Jesus deles se tornou um homem, parou então de ser um deus. Não houve ressurreição física do Jesus dos Testemunhas de Jeová; Jeová suscitou o seu corpo espiritual, escondeu os seus restos mortais, e agora, novamente, Jesus existe como um anjo chamado Miguel. A Bíblia promete que, ao morrer um crente em nosso Senhor e Salvador, a pessoa imediatamente estará com Jesus (2 Co 5.8; Fp 1.21-23). Com o Jesus deles, no entanto, somente 144.000 Testemunhas de Jeová terão este privilégio - mas não depois da morte, porque eles são aniquilados quando morrem. Ou seja, eles gastam um período indefinido em um estado inativo e inconsciente; de fato deixam de existir. Minha comunhão com Jesus bíblico, no entanto, é inquebrável e eterna.


"Jesus", ainda preso numa cruz

Os católicos romanos também amam a Jesus. Eu também o amei da mesma forma durante vinte e poucos anos de minha vida, mas ele era muito diferente do Jesus que eu conheço e amo agora. Algumas vezes ele era apenas um bebê ou, no máximo, um garoto protegido pela sua mãe. Quando queria a sua ajuda eu me assegurava rezando primeiro para sua mãe. O Jesus para quem eu oro hoje já deixou de ser um bebê por quase 2000 anos. O Jesus que eu amava como católico morava corporalmente em uma pequena caixa, parecida com um tabernáculo que ficava no altar de nossa igreja, na forma de pequenas hóstias brancas, enquanto que, simultaneamente, morava em milhões de hóstias ao redor do mundo. Meu Jesus, na verdade, é o Filho de Deus ressuscitado corporalmente; Ele não habita em objetos inanimados.

O Jesus dos católicos romanos que eu conhecia era o Cristo do crucifixo, com seu corpo continuamente dependurado na cruz, simbolizando, de forma apropriada, o sacrifício repetido perpetuamente na missa e a Sua obra de salvação incompleta. Aproximadamente há dois milênios, o Jesus da Bíblia pagou totalmente a dívida dos meus pecados. Ele não necessita mais dos sete sacramentos, da liturgia, do sacerdócio, do papado, da intercessão de Sua mãe, das indulgências, das orações pelos mortos, do purgatório, etc. para ajudar a salvar alguém. Os católicos romanos dizem que amam a Jesus, mesmo quando se chamam de católicos carismáticos, católicos "evangélicos", ou católicos renascidos, mas na verdade eles amam um Jesus que não é o Jesus bíblico. Ele é "um outro Jesus".


"Jesus", o bilionário

Até mesmo alguns que se dizem evangélicos promovem um Jesus diferente. Os chamados pregadores do movimento da fé e da prosperidade promovem um Jesus que foi materialmente próspero. De acordo com o evangelista John Avanzini, cujas roupas chiques refletem o seu ensino, Jesus vestia roupas de marca (uma referência á sua capa sem costura) semelhantes ás vestidas por reis e mercadores ricos. Usando uma argumentação distorcida, um pregador do sucesso chamado Robert Tilton declarava que ser pobre é pecado, e já que Jesus não tinha pecado, então, obviamente, ele devia ter sido extremamente rico. O pregador da confissão positiva Fred Price explica que dirige um Rolls Royce simplesmente porque está seguindo os passos de Jesus. Oral Roberts sustenta a idéia de que, pelo fato de terem tido um tesoureiro (Judas), Jesus e Seus discípulos deviam ter muito dinheiro.


O "Jesus" do movimento da fé e das igrejas psicologizadas

Além da pregação sobre um Cristo que era materialmente rico, muitos pregadores do movimento da fé, tais como Kenneth Hagin e Kenneth Copeland, proclamam um Jesus que desceu ao inferno e foi torturado por Satanás a fim de completar a expiação pelos pecados dos homens. Este não é o Jesus que eu conheço e amo.

O Jesus de Tony Campolo habita em todas as pessoas. O televangelista Robert Schuller apresenta um Jesus que morreu na cruz para nos assegurar uma auto-estima positiva. Para apoiar sua tese sobre Jesus, psicólogos cristãos e numerosos pregadores evangélicos dizem que Sua morte na cruz prova o nosso valor infinito para com Deus e que isto é a base para nosso valor pessoal. Não somente existe uma variedade enorme de "jesuses" que promovem o ego humano hoje em dia, como também estamos ouvindo em nossas "igrejas" psicologizadas que a verdade sobre Jesus pode não ser tão importante para o nosso bem psicológico do que nossa própria percepção sobre Ele. Esta é a base para o ensino atual do integracionista psicoespiritual Neil Anderson e outros que promovem técnicas não-bíblicas de cura interior. Eles dizem que nós devemos perdoar Jesus pelas situações passadas, nas quais nós sentimos que Ele nos desapontou ou nos feriu emocionalmente. Mas, qual Jesus?


Conclusão

A comunhão com Jesus é o coração do Cristianismo. Não é algo que meramente imaginamos, mas é uma realidade. Ele literalmente habita em todos que colocam nEle a sua fé como Senhor e Salvador (Cl 1.27; Jo 14.20; 15.4). O relacionamento que temos com Ele é ao mesmo tempo subjetivo e objetivo. Nossas experiências pessoais genuínas com Jesus estão sempre em harmonia com a Sua Palavra objetiva (Is 8.20). O Seu Espírito nos ministra a Sua Palavra, e este conhecimento é o fundamento para nossa comunhão com Ele (Jo 8.31; Fp 3.8). Nosso amor por Ele é demonstrado e aumenta através de nossa obediência aos Seus mandamentos; nossa confiança nEle é fortalecida através do conhecimento do que Ele revela sobre Si mesmo (Jo 14.15; Fp 1.9). Jesus disse: "Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz" (Jo 18.37). Na proporção em que nós crentes aceitarmos falsas doutrinas sobre Jesus e Seus ensinamentos, também minaremos nosso relacionamento vital com Ele.

Nada pode ser melhor nesta terra do que a alegria da comunhão com Jesus e com aqueles que O conhecem e são conhecidos por Ele. Por outro lado, nada pode ser mais trágico do que alguém oferecer suas afeições para outro Jesus, inventado por homens e demônios. Nosso Senhor profetizou que muitos cairiam na armadilha daquela grande sedução que viria logo antes de Seu retorno (Mt 24.23-26). Haverá muitos que, por causa de sinais e maravilhas, como são chamados, feitos em Seu nome, se convencerão de que conhecem a Jesus e O estão servindo. Para estes, um dia, Ele falará estas solenes palavras: "...Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade" (Mt 7.23). Mesmo que sejamos considerados divisivos por perguntarmos "Qual Jesus?", entendam que este pode ser o ministério mais amoroso que podemos ter hoje em dia. Porque a resposta desta pergunta traz conseqüências eternas.

                                       T.A Macmahon - Traduzido por Ebenezer Bittencourt.

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